21 de maio de 2004


"0 tudo está em paz, mesmo com toda essa correria....

Mesmo com toda essa ausência do meu eu....
Mesmo com todas essas coisas superficiais, com todo esse egoísmo e individualismo que me rodeia.
O futuro sorri para mim e agora eu me enfeito com a esperança que está aqui.
Meu anjo da guarda estará comigo todos os dias.
Não ficarei sozinha e todo sorriso sairá do coração.
A vida está chegando. Não sei a hora e o dia exato....

Tem essas coisas estranhas sobre o amor, sobre o gostar, sobre o estar apaixonada.
Que certezas pode-se ter?
Bobagem procurar os indícios que esclareçam exatamente que tipo de coisa é esta que derrama azul sobre o céu nos dias de chuva.
Eu tento explicar que não importa o nome que damos. Mas quando um olho bate no outro, dá uma vontade de dizer mais que isto que estamos dizendo.
E penso que não é hora. Então eu não digo. Mas sinto. E continuo a sentir todas as vezes em que os olhos se batem.

E sinto muito mais quando os olhos não se batem, mas se procuram, e se angustiam com a ausência ou com a saudade...
E esse silêncio danado que fica resmungando coisas no ouvido.... e esse medo de perder o que ainda nem se tem certeza que se ganhou.
Pois é. Então que nome vou dar a isto?
Alguns falam paixão, como se fosse um filhote rebelde do amor.

Para falar amor é preciso mais tempo, mais dados, mais provações.
Amor exige compromisso.

A paixão admite equívocos, duplicidade, lágrimas nas madrugadas e sorrisos pela manhã, admite a troca dos personagens sem muito prejuízo para o enredo.
O amor não. Ele é sério. Com ele não se brinca.
Alguns dizem que só ama-se uma vez na vida, que é eterno, que é sólido, que perdoa, que esquece, que tudo suporta, que é o mais nobre dos sentimentos.

Não, não... eu não afirmaria nada disso, diria que o amor é apenas um sentimento, não é tão exclusivo nem tão eterno.
Ama-se de muitas maneiras e a muitas pessoas... muitas vezes simultaneamente.
Para dizer eu te amo, basta sentir vontade de dizer.
E se o dia amanhecer cinza sobre o amor que foi declarado durante a madrugada, não quer dizer que não era amor.

Quer dizer apenas que os dias de chuva chegam e desabam sobre todos, sobre os que amam e sobre os que não têm coragem para confessar.
Dou meu voto ao amor, seja lá de que espécie for.
Não o exijo tão eterno ou tão sólido, mas exijo-o dito, declarado rasgadamente, afirmado, escrito, confirmado em bocas e em línguas diversas para que os olhos sejam sempre presentes em brilhos, em fogos, em correntes salgadas sobre a pele. Amor...."

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