5 de julho de 2004

Unidade

O preconceito dói
Da raíz do cabelo
Até as pontas dos pés
Rasga alma á dentro
E sangra o coração

O julgar pela aparência
Deixa a imagem muito turva
O tentar conhecer
Impregna medo, exaltação
Cada rótulo que recebemos
Nos torna uma pessoa que não somos
Mas que para os outros havemos de ser

Cada título que para os outros sustentamos
Faz de nós um ser pior
Aos apontar para alguém
Temos, gestualmente
Três dedos para nós apontados

Ao rotular, julgar
Creditar algo a alguém
Tachamos a nós mesmos
Nos desfazemos dos ensinamentos
Pois somos todos irmãos
E todas as tribos uma só
Existe apenas um Deus, uma nação

Camori





Menos 180º

Fumaças rasgavam o céu
Sonoridade de faroeste
Olhos atentos, apavorados
Realidade de cinema
Saltava a realidade
O lado B de obscuro
Desespero pelas ruas e vielas
Luta pela sobrevivência
Uma guerra não declarada
Nível civil
Momentos de inaceitação

A população apavorada
Dá o subsídio necessário
Alimenta um esquema mais que ativo
Ninguém percebe
Todos sabem
Parece que não há nada para se ver

Problema de cada um
Bitolação
Ausência total de 180º
Mortos vítimas da infâmia de quem reclama
E vira vítima de si mesmo

Um minuto de silêncio pelas vítimas da ignorância
Um terço pela Cidade Maravilhosa
Promessas pela visão sem bitolação
Esperança de que dias melhores viram

Camori

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