2 de abril de 2005



...Podem parecer sinônimos.
Idéia igual, mas diferente no sentir.

Lembrança é da memória, saudade é da alma.
Muitas lembranças, poucas saudades.

Lembranças surgem com um cheiro, uma música, uma palavra.

Saudade surge sozinha, emerge do fundo do peito onde é guardada com
carinho.

Lembrança pode ser boa, mas quando não é, pode-se afastá-la
convocando outra lembrança ou convocando outro pensamento para o lugar,
ligando
a TV ou lendo o jornal.

Saudade é sempre boa, mesmo quando dói, e não se apaga mesmo que
outra pessoa tente ocupar o lugar vazio.
Ela pode coexistir com um novo amor, sem machucá-lo.

Lembrança é de algo real, de um lugar, uma época, uma pessoa.
Saudade pode ser do que não houve, de uma possibilidade,
de lábios jamais tocados.

Lembrança pode ser contada, medida, localizada, e com algum esforço,
pode até ser calculada com uma fórmula matemática,
ao gosto dos engenheiros.

Saudade é dos poetas, é pautada em rimas e melodias; vontade de ver
outra pessoa, segundo os poetas, teria outro nome, seria uma saudade
com tempero, eu acho.

Lembrança pode ser sem som, pode não doer.
Saudade jamais é sem som.
Se ela não vier com música de fundo, a gente coloca, só para ficar
mais bonita, mais gostosa de sentir, para preencher mais a alma
vazia.

Lembrança vence a morte, mas conforma-se com a ausência, respeita
convenções.
Saudade ignora a morte, vence distâncias, barreiras e preconceitos.

Lembrança aceita nosso comando, vai e volta quando queremos.
Saudade é irreverente, independente e auto suficiente.

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