28 de maio de 2005



Ouro de tolo


Não precisou de coisa muita. Na verdade, precisou apenas daquela gente toda reunida por uma mesma causa.

Lá estávamos nós em meio a uma cidade que caminha para ser calamitosa em uma dessas noites de boemia breve que acabam com o mesmo horário da história da Cinderela.
Alguns gatos pardos e nós perdidos sabe-se lá onde, meus Deus.

A euforia, nada amiga, transtornava-nos, transformava-nos. Precisávamos de tão pouco ali para deixar tudo fluir.

A ansiedade do bater dos pés transbordou diante ao som, a luz, os olhares, a interação, o reconhecimento e um sentimento inebriante, pretencioso e talvez até mentiroso de vitória.
Alguns "ois" aqui em umas apresentações ali e lá estávamos nós felizes a conversar animadamente antes do toque de recolher da madrugada. Referências que iam e vinham num bate pronto que ninguém esperava.

Sem drogas. Completamente caretas. Só entorpecidas de cacau transformado um chocolate sólido e felicidade.

Ah...momentos breves que nem nos damos conta. Muitos abraços, beijos, energia fluindo, axé! Sangue quente nas veias rolando de uma forma tão igual que parecíamos só um, tão importantes quanto, a dançar no meio da rua para dar exemplo concreto de como era o fato que estava sendo contado.

Insinuações de beijos, gracejos, flertes, dança da sedução, interrogações sem respostas, dança da chuva! Podíamos tudo ali e naquela hora!

Sensação de poder. Querer. Saber. Conseguir. Ser. Nós. Éramos Deus e o diabo. A cruz que nos pesa era também o calvário com propósito. Entorpecidas de nós mesmas. Cheias de si.
Ah...e o ar da madrugada. Sorrisos bobos. Ouro do tolo. Momento de poucos. Felicidade de todos.

Dormir pra quê? A noite é uma criança. E naquela noite, antes do sol raiar ao seu findar, eu era mais eu! Perfeita. Harmônica. Vitoriosa!


DeCamori

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