25 de agosto de 2006


Minha tia costumava ter um cordão pelo qual eu tinha um carinho
especial. Era uma espécie de correntinha com um amuleto que tinha a foto do meu afilhado que era o neto dela.

O Nícolas, o meu afilhado, sempre foi uma criança que amei mesmo quando eu era uma criança. Eu tinha 8 anos quando ele nasceu e sou capaz de descrever o sonho que tive com ele na véspera do dia dele nascer. Vi no sonho o bebê que conheci. Lembro dos dias que o vi ainda de colo, da farra que ele fazia quando me via e do quanto me sentia responsável por ele. Eu tinha apenas 8 anos mas nutri por ele um sentimento materno. Se é que uma criança pode sentir esse tipo de coisa por outra criança. Mas é assim até hoje! Tanto que o consagrei, e por escolha dele que foi batizado já grandinho e assim me quis como madrinha. Tenho mesmo com ele uma trajetória de mãe.

Por tanto, essa correntinha com uma foto dele pendurada que pertencia a avó dele, era um objeto extremamente atraente, de imensurável valor e que por várias vezes pensei em surrupiar...shii! Que coisa feia!

Eu e a mãe dele sempre roubamos coisas uma da outra. Coisa de primas. Mas por respeito a minha tia, nunca o fiz.

Hoje, recebi um dos presentes mais belos, singelos e doídos da minha vida. Minha prima me mandou em nome dela, dele e da minha tia esse cordão tão cobiçado, num saquinho de jóia.
Eu levei 24 horas pra abrir. Nem me interessei mas quando o abri, senti o peito apertar e só não chorei porque abri ao lado da minha mãe que de certo já sabia do que se tratava. A dor vem de ser não um presente mas uma herança. Faz um mês que não tenho mais minha tia que sempre fez as vezes de uma avó que nunca cheguei a ter.

O cordão está no pescoço, a saudade no peito e o vazio pela vida...

Antes tivesse surrupiado e dado a essa jóia um ar de travessura...

Desculpa dividir algo um tanto doído. Queria pôr pra fora
Bjo

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