7 de fevereiro de 2008

Nada é como antes no reino de abrantes


Choveu muito nesse carnaval, o que só colaborou para aumentar meu desânimo. Tô numa fase tão decisiva que sob pressão, paralisei. Daí quanto mais me cobro, pior. E a chuva caía lá fora, os problemas pipocavam aqui dentro e a única companhia que eu queria estava igual a mim.
Foi quando recebi uma visita inesperada. Anos depois da última vez que nos vimos e nos falarmos, ele estava aqui. Por um instante, valeu a chuva e não ter ido a lugar nenhum. Naquele momento, tudo fazia sentindo e me mostrava o seu real significado. Eu precisava estar ali para aquele reencontro. As coisas que deram errado viraram uma conspiração à favor.

Quando a porta se abriu e ele entrou, nem lembro se deu tempo dele virar pra mim, como uma criança que se joga no colo de um adulto, abrecei-o com vontade. Os corações no mesmo compasso, o sangue respondia a tudo aquilo. A vontade era de não largar mais!

Mesmo com as vidas seguindo caminhos diferentes e os rumos que cada um de nós tomou, era tão óbvio o carinho e benevolência que existia ali que como em um pacto selado, juramos um carinho eterno que nada conseguiu destruir. Era como quando nos falávamos todos os dias e nós víamos sempre.

Foram anos estudando juntos até o afastamento por motivos da vida que hoje já não fazem a menor importância, uma vez que tínhamos passado por cada um deles e a amizade e o parentesco comprovado que arrumamos, estavam presentes com a mesma doçura dos tempos de colégio.

Por um instante tudo fez sentido, valeu à pena e me provou que amizade de verdade não se questiona, simplesmente existe.


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