5 de maio de 2008

O poder de quem olha de fora


Sou a última da última remessa de netos, sobrinhos e primos. Cresci com irmãos adultos, nunca dividi quarto, brinquedos ou o controle remoto. Minha convivência com criança sempre foi pouca, de visita. Quando eu visitava alguma ou quando elas que eram a visita. Talvez isso explique porque gosto tanto de criança, porque nunca tive uma de verdade pra conviver e que, de quebra, ainda me atribuísse alguma responsabilidade.

Minha sobrinha-neta quando nasceu, veio morar aqui em casa, experiência que me foi fascinante mesmo estando na quinta série e tendo perdido meu quarto. Tudo era ótimo! O choro de madrugada, o lavar as mãos para tocá-la e todo o entra e saí para vê-la.

Mas a verdade é que nunca tive uma criança "minha". E acabei sendo professora porque, talvez por isso, acho criança o máximo! São uma das melhores coisa desse mundo! São a esperança de gente grande. A possibilidade de deixarmos no mundo um ser humano legal e melhor que nós. Mas à essa altura do campeonato, alguns meses depois, nada disso me importa. O trabalho me estressou e queria não ter que vê-las, não ter que ensinar, às vezes educar e não precisar repetir sempre as mesmas coisas.

Beirava a exaustão! Não tinha mais prazer, nem disposição. E pra piorar, ainda caí de cama e pensava em como dar aula sem conseguir nem ao menos engolir. E foi aí, que um amigo foi me ensinar a editar vídeos no pc e eu achei um que tinha feito deles nos tempos de outrora. Nele, aparece minha sala, eles brincando, falando comigo, pedindo coisas, representando a vida (e a tia) no faz-de-conta envoltos num mundo colorido no qual toda criança deveria viver. E eu sorri.

Vendo de fora, doente, me pareceu tudo tão bom. Em meio ao efeito do remédio, pastilhas e spray pra garganta, tinha cor, sorrisos e uma doçura vinda de uma inocência que meus dias jamais teriam não fossem eles. Vendo o vídeo, desejei aquele mundo pra mim. Quis estar lá e viver tudo aquilo. Deu saudade dos meus anjinhos (rs) e a segunda-feira me pareceu tão longe! Foi aí que pensei como pude ter esquecido isso? E percebi que o afastamento, de fato, se faz necessário.

Hoje o dia na escola foi leve, rendeu e minhas crianças, nossa! Como elas são maravilhosas! E eu quero o mais de amanhã.



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