
Admirável Chip Novo - Pitty
Pane no sistema alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação
Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente, eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema
Pense, fale, compre, beba
Leia,vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste, viva
Pense, fale, compre, beba
Leia,vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Não senhor, Sim senhor, Não senhor, Sim senhor
E de repente eu não sirvo nesse molde. Aqui é apertado, escuro e me faz mal. Se bem, que parando pra pensar, nunca coube aqui. Aqui, seja lá onde o aqui for, nunca me serviu de abrigo e lugar. Desde pequena foi assim. Desde minha concepção, eu não era padrão. Nasci em uma época na qual as mulheres não tinham filhos tardes mas minha mãe me teve com 39 anos. E meu pai, já muito mais velho que ela, era confundido e chamado de avô quando me viam nas ruas. Hoje é normal mas na década de 80 não era assim que as coisas aconteciam. Meus amigos tinham as famílias molde americano com pai, mãe e irmãos e eu era temporã, caçula do lado materno e paterno, que já nascera com sobrinhos mais velhos e tinham nos irmãos, bem mais velhos e de primeiros casamentos, outro pai e outra mãe.
Brincava sozinha, não quebrava brinquedos, não fazia manha, sempre gostei da madrugada estudava sem terem que mandar mas sempre mediana para os padrões quantitativos, embora entendesse melhor que meus colegas de classe.
Era amiga dos meninos, mal suportava amizades das outras meninas. As achava frescas e fúteis já na segunda série (e até hoje). Nunca me importei com roupa da moda, cabelo cumprido, unhas feitas. Sempre fui bagunceira, desorganizada, de andar descalço e sentar no chão. Um moleque!
Sempre pensei muito! E buscava uma forma de ir para o Japão quando aqui fosse hora de dormir e decidi: não queria deixar de ser criança. Angústia essa que me arrancava lágrimas. Eu sabia que era inevitável e eu ia crescer...:(
Mantive meu jeito de criança e a única vez que tentei ser diferente, foi tão artificial que fui sinalizada e me mostraram o quanto ser diferente não faz parte de mim. E assim, também nunca fui magra ou mulherão e nunca gostei dos caras mais bonitos. Eles eram grandes amigos os quais eu beijava e abraçava com bem quisesse mas era um deles, saca. Sempre me orgulhei disso.
A vida me levou à caminhos que hoje repenso: primeiro me formei professora e depois em Psicóloga. Grande merda eu consegui! Eu que não caibo nas formas, que não sei ser quadrada e entrar no molde, nasci triângulo e vou morrer triângulo, me rendi a duas formações de adestramento. A escola te adapta para a sociedade e quando ela te corrompe e te leva ao limite, você busca o psicólogo para que ele te readapte e te devolva para o mesmo lugar de sempre. Você nasce anônimo, mais um na multidão e morre um Zé Ninguém.
Sou utópica, filosófica, líder, criativa, cheia de boas idéias, dominadora de um fluência escrita, que quando domina a ansiedade flui perfeitamente no verbal e caí no lugar comum. Virei mais um gado, mais uma engrenagem, mais uma massa de manobra. E estou no lugar comum porque escolhi acreditando que estava fugindo de todas as regras!Agora eu me questiono e fico sem saber aonde quero parar (?) Estou sem rumo caminhando na mesma mesmice que me fez acreditar que meus passos eram largos, frente a um horizonte realmente condicente a minha existência!
Gente comum é assim. Voto vencido. Gado tolido que acha que faz tudo diferente mas no fim se assemelha com todos os outros "ninguéns" da vida e diz que teve identificação e ainda se agrupa por isso! Vira Zé Ninguém catalogado!
Se existe algum subterfúgio que me tire da mesmice e do corriqueiro, não sei. Se há um emprego que me salve da mediocridade humana, estou à pensar (embora o emprego seja mais uma mediocridade humana que todos temos que ter independente de qualquer coisa!).
O fato é que amanhã acordo cedo (se é que vou dormir pensando nessas coisas), pego meu ônibus e parto rumo ao meu emprego porque preciso do salário mas meu discurso é que gosto do que eu faço. E realmente gosto! Achando que isso fazia toda a diferença do mundo! Sou apenas mais um com discurso da diferença que é igual. Onde está a saída?
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