Em minhas mãos havia um grande desafio: pequenas preciosidades com grandes particularidades. Como professora, me cabia passar a lição e me adaptar a tudo!
Eu tenho orgulho de ser professora. E mais ainda de ter me apaixonado pela educação infantil. São as doçuras do dia-a-dia que fazem o salário mensal ser elevado ao cubo!
Eles aprenderam a escrever, conseguiam identificar palavras, cores, sabiam antônimos, contavam até 10, etc. Mas eles aprenderam também que podiam ser eles mesmos.
Eu acho que, mais do que cobrar o conteúdo, o professor tem por dever, ser presente na brecha que ultrapassa a barreira dos livros. As melhores horas eram aquelas que possibilitavam vê-los recriando a tia Carol nas brincadeiras de faz-de-conta na qual eles se faziam de aluno e professor e ensinam com meus trejeitos e tom de voz ou criavam algo novo.
Eu os vi florescer. Trazia pra mim todos os problemas particulares deles que não deviam ser abarcados em sala de aula. Nunca me ensinaram isso na minha formação. Mas eu queria estar junto, "estar com". Saber o porquê naquele dia a brincadeira era chata, rasbiscava-se o livro e a merenda estava intragável!
Os conhecia como a palma da minha mão e os amava no limite que uma professora deve amar sua turma. Eram lindos! Extremamente desgastantes mais a turma mais linda de todas!
O único porém e que toda a força que eles encontravam em mim, ficava neles, não havia retorno, nem compreensão dos adultos a minha volta. Perceberam, através de, e só através de, provas concretas, o quanto eles aprendiam todos os conteúdo determinados pelas diretrizes do MEC mas se incomodavam com a minha absolvição da inquietude, com o espaço que dava a personalidade de cada um, o quanto perdia tempo conversando e explicando antes de punir e a gota d'água! Eles aprenderam a pensar e assim a questionar.
Meu orgulho era que eles tinham ficado articulados, independentes e sabiam argumentar. Não bastava parar a brincadeira. Se um só havia aprontado, admitia o erro mas o outro, o certo, argumentava. Quando comigo, já sabia que não era história de criança. Mas para a escola, como incomoda alunos que pensam! Ainda mais os meus, tão pequenos, "com cérebros tão rasos"!
Eram a pior a turma. A tia Carol não tinha pulso firme, era impossível manter a ordem, fazer com que eles se calassem, ficassem quietos...
Eu sabia a preciosidade, os diamantes tão potencialmente perigosos, como me foram vendidos, que tinha nas mãos. Mas o melhor era o molde, a fôrma. Era fazer silêncio e só aprender.
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