28 de julho de 2009
Todos os meus namorados me foram fiéis. Tenham sido eles paqueras, ficantes, rolos, platônicos ou reais. Todos sempre foram de uma fidelidade incontestável! Sabia dos amores não recíprocos, nunca me mentiram a respeito dos limites e ilusões, sempre me alertaram das não-possibilidades e sempre se mostram preto no branco. Nenhum deles posso acusar de infidelidade, de deslealdade.
Todas as minhas dores e expectativas foram divididas, compartilhadas, ouvidas e acalentadas. Até minhas insanidades e surtos, coisa de gente apaixonada, foram respeitadas, vividas e acabaram por mim mesma.
Sempre tive de todos os meus amantes, se é que se pode assim denominá-los, uma respeito, uma admiração, um acalanto que talvez um casamento não ofereça. Embarquei em cada relação ou tentativa dela, com a licença do outro e me mantive ali, junto deles enquanto tive carta branca. Talvez por isso minhas histórias nunca tenham tido fim. E, tendo apenas uma exceção que não sei dizer com certeza, ficamos amigos. Aquela amizade cordial que sela o fim de algo que se passou. Ficaram boas recordações e aprendizados para ambos os lados.
Eles me deixaram saudade, uma pitada de nostalgia e a certeza de que já fui muito visceral e hoje sou em minha maior parte razão.
Minhas maiores desiluuões amorosas foram de amizade. Ah! Nada vale um homem perto de um amigo (a). Até porque um amigo sabe a hora de dar espaço a esse tipo de acontecimento e esperar que o outro o busque novamente. Quantas vezes já fiz isso e acolhi o amigo (a) e sua escolha amorosa, mesmo que a desprezasse e estivesse magoada. Era a volta. A volta do amigo que fazia aquilo tudo valer à pena.
Amigos são anjos que saem dos desenhos barrocos das Igrejas e colorem nossos dias, até os frios e chuvosos. São eles que nos dão o afeto sem esperar nada em troca. Eles desejam apenas a nossa felicidade, querem nosso bem. E é assim que alcançam a própria felicidade, o próprio bem.
Nunca uma desilusão de amor carnal me doeu tanto quanto a dor aguda da punhalada de um amor fraterno. Sempre tive os amigos que conquistei mas em sua maioria, o ouro que julgava lapidado tem descascado.
Meus amores impossíveis, platônicos e mal vividos, nunca me fizeram cair em desgraça. Nunca me foram traiçoeiros ou desrespeitosos agora, os amigos de m'alma, que arrebataram meu coração e foram colocados acima de tudo, me são uma dor pungente.
Eu acredito em cada gesto de amizade que tiveram para comigo, sinto a amizade de cada um e sei da verdade em cada momento recordado com carinho. A tristeza, o que pesa, é a dor de que, embora meus amores sofríveis tenham terminado bem, minhas amizades tão puras tiveram um terrível fim.
No instante derradeiro, só sobraram meia dúzia de palavras frias, os defeitos observados de forma desnuda, o afago faltante, o conselho que não foi dado, o aconchego que não existiu, a mão que não se extendeu e a sensação de uma incrível falha de comunicação a medida que tenho para dizer deles a mesma quantidade de coisa que eles devem ter para me dizer.
No caminho andado junto, segue cada um para um atalho, dessa vez, só. Tenho tentado caminhar mas paro. Os sapatos parecem não me deixar andar, me fazem doer os calos. A cada passo que dou, vejo a sombra que me protegia do calor.
Pra Dorothy foi mais fácil caminhar por sob os tijolos e achar o mágico de Oz. Agora eu sei porque..
Ela não tinha o que a fizesse olhar para trás e tinha ao seu lado aqueles que ela acreditava serem seus melhores amigos. Os meus, parecem terem esquecido da estrada, lembrando apenas que sou um leão medroso e não terem conseguido o seu coração de volta para não deixar que eu me afaste e deixe tudo se perder.
Cabível de insistência
Poema de Camori
Eu continuo a mesma
dos risos
olhares
dedicação
A mesma
mãe
irmã
amiga
O mesmo
colo
carinho
conselho
Continuo aquela
da mesa do bar
das tardes de brigadeiros
de compartilhar alegria
de dividir tristeza
Igual
nas qualidades
brincadeiras
e manias
Mas em algum momento tudo perdeu o efeito
E nada disso tem mais valor
Nada mais é cabível de insistência
ps:. Gostou do poema? Pode copiar mas por favor, me dê o crédito! Já teve um babaca que me robou um texto e acha que é dele.
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