Após muito tempo de intenso movimento em casa, hoje me vi só. Depois de tanto entra e sai, notícias novas a cada hora e dores que se misturam com todas as enfermidades que cairam em conjunto sobre o meu lar, o dia hoje foi do "eu sozinha".
Almocei com a companhia da TV, participei do debate do programa, ri com o humor de outro , revi velhos momentos e no final escolhi a minha mente como companhia.
Quando pequena, para me fazer dormir, minha mãe deitava-se a meu lado na cama e ficávamos olhando para o teto vendo-o se iluminar com o clarão dos faróis do carros que passavam na rua. Hoje, deitei de lado, virada para a parede e enquanto prestava atenção nos sons da rua, via a claridade entrar e ir embora ao tempo do vento na cortina.
Fui organizando meus pensamentos, fazendo uma "catarse muda", se é que isso é possível. Ouvia, depois de um bom tempo de muita inquietação, o movimento do mundo. Ele estava lá. Nada saiu do lugar, os carros não pararam, as horas não congelaram e tudo o que me era de mais familiar e servia de base, continuava ali, me acalentando.
Por muito tempo os ouvidos tem sido voltados pra mim. Para as notícias que quero saber, os desabafos que preciso fazer, as perguntas que tenho que responder e as dores que tenho que compartilhar.
Foi vindo a calma, a tranquilidade, a renovação de energia, o peso foi cedendo, a benção de Deus caindo sobre meu coração e senti paz.
Só então me dei conta que estava apenas reproduzindo o que minha mãe fazia comigo para que eu dormisse. Era um ritual muito mais complexo do que simplesmente perceber os carros passando. Ali eu entendi, que mesmo hospitalizada e meu mundo sendo completamente outro, ela está comigo.
Eu passei a acreditar em milagres. Nos últimos dias temos recebido graças que os médios noticiam até com uma certa decepção porque simplesmente não sabem explicar como tem acontecido.
Não sou religiosa mas acredite, Deus existe e faz milagres! Graças à Deus!
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