.:Vai vê sou doida mesmo :oP:.
Por esses dias fui assaltada, né. É chato. Levaram coisinhas minhas as quais eu tinha muito carinho. Uns presentes q me foram dado com amor. Podia ter sido pior, embora tenha sido na porta de casa em plena luz do dia!
Primeiro pensei mim. Que ódio! Depois pensei no ladrão. Será q alguém pensa no ladrão nessa hora? rs Acho q fazer psicologia dá nisso. Talvez minha professora de Institucional goste de ler o q escrevi sobre isso. É longo mas espero q vc goste tb. Tá aí abaixo. Diz q tal, ok?
Perdeu! Perdeu!
Então é assim, você é assaltada e vira vítima. Como se não fosse vítima faz tempo! É. Como se você não vivesse em um mundo gradiado e procurasse um condomínio de luxo, desses que você pode pedir pãozinho pelo interfone pra te segurança. Mas vítima, vítima mesmo! Você só vira quando é assaltada. O fato cotidiano real só passa a ser verídico e aceitável sem ser em um tom de filosofia quando ele te atinge em cheio, de forma direta e com confirmações.
Sim. Porque não basta ser tentativa. O ladrão, que hoje em dia não usa mas meia na cabeça, só é denunciado se tiver furtado algo. Coisa que só acontece na melhor das hipóteses.
Daí você vai na delegacia. Se te atenderem na hora, pode ser que ocorra o flagrante. Mas leve em conta o tempo que você levou para ir até lá, o tempo de espera para ser atendida e o fato de quê ladrão é igual a gato, conhece rua e se mete em qualquer buraco.
Daí você descreve o que foi roubado e calcula mais ou menos o valor. Valor que não vão te ressarcir e você sabe que não vai ter de volta, pelo menos não aquele que de forma ilícita pusseram a mão. Suas coisas com qualquer um sendo reviradas ou largadas por aí. Quando bolsa de mulher, vai ver que ainda viram presente pra namorada. Podem até vir a fazer alguém feliz. Felicidade vem, vai párar pra pensar? Que nada! Vai é ser feliz antes. E quanto ao celular? Ele pode ser vendido, trocado, desmontado ou ter uma escalada na vida do crime e virar telefone de bandido na cadeia. O lado positivo? Podia ser pior. Deus dá em dobro, você pensa.
Compro tudo de novo! E o real valor das coisas, o que havia ali de suor do seu trabalho e das suas economias, nem é levado em conta. Fica banalizado apoiado na mesma teoria de que assalto agora é rotina. Culpada é você, a vítima, que não tava esperta.
Na delegacia, a realidade caí nas suas mãos em forma de pasta catálogo com um monte de foto esquisita, imprimidas por por um computador qualquer que mostram tudo quanto é tipo de gente que já foi presa e fichada, a ponto e a tempo de ter até foto pra ilustrar. gente essa que tá por aí, né. Quantos assaltos antes do seu, não é mesmo?
Brancos, negros, pardos, mulatos, jovens, velhos, bonitos, feios...com certeza se você pegasse um catálogo com foto de gente comum, seria igualzinho. Se não fosse pelo fato que aqueles ali são considerados os marginais da sociedade. E são de fato. Porque os que não fazem parte desse catálogo de gente, nem precisam ser fichados. E o pior de tudo! É que parando pra pensar, a diferença criminal entre eles e você é que eles roubam na rua e você rouba comprando um cd pirata, por exemplo.
A indignação e o estresse que a acompanha, não vem só pelo fato de que eram duas da tarde e você estava na porta de casa mas também da questão de que até nessa hora na qual você foi invadida por uma violência, seja ela do grau que for, conta o que te levaram.
Sua mãe ficou nervosa e seu pai com uma baita dor de cabeça. Ei! E a mãe dele? E o pai? Será que ele, o marginal desgraçado que te assaltou, tem pai? Será que o conheceu? Vai vê não merecem o filho que têm mas têm.
Hum... educação. Educação É a solução. Se bem que gente ruim já vem de berço. Por que pensa, ele podia ter lutado contra esse condição se essa teoria de que o homem nasce essencialmente bom fosse verdade. Porque da mesma forma que não há no meliante a culpa dele ter se tornado um deliquente, não há em você por poder ter as coisas que foram roubadas. Ambos sofrem as mesmas pressões.
Pensa só! A pressão que você sofre para ter o celular e a câmera digital, o que nesse caso foi roubado, é a mesma que ele sofre lá nas cuicuias onde mora pra ter comida, pra ser respeitado ou pra comprar droga, que seja!
É, a sociedade pode mesmo corromper o homem essencialmente bom. E no fim os torna iguais, duas vítimas de dois pontos de vistas diferentes. Mas nesse caso a vítima é você. Você que foi assaltada. Você que sofreu a violência.
Vira uma vítima direta,um número, um índice, uma estatística e parte de toda uma discussão da qual antes você não fazia parte. Todos esses dados e índices quem agora você faz parte, atingem sua família, seus vizinhos que se alarmaram, a rua onde você mora que não vai ser mais a mesma, o portão da sua casa que passou a ser perigoso, seu bairro que passa a sofrer com a insegurança, seu munícipio que ganha um número a mais na questão de furto, sua cidade que tem algo a acrescentar nas estatíticas, seu Estado que vai ter que totalizar mais essa, o seu país que altera seu índice, seu continente que acumula todas esses dados anteriores e o mundo que vai falar dos casos de violência com mais essa experiência.
Ele, o miserável que assaltou, não vai longe. Logo leva um tiro pelo meio da cara. Gente assim tem mais é que morrer mesmo!
O que te torna merecedora da vida e ele da morte é o simples fato que tem mais gente olhando por você do que por ele. E se não bastasse, você também olha. Quanto a ele, nem ele sabe, mas apenas vive como pode sem ir contra tudo isso.
Prestada a queixa, por conta dos meus documentos, sofre-se pelo sentimento das coisas perdidas, compra-se tudo outra vez, volta-se para trás das grades da porta de casa, a mesma onde você foi assaltada às duas da tarde e onde, agora, você olha mais vezes pro lado antes de andar. Aliás, por lá, por aqui, por aí, por acolá...
Vai vivendo e morrendo a cada dia, como acontece com todos os dias desde o seu nascimento e ele vai morrendo sem ter pelo que viver. Perdeu! Perdeu!
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