"Eu moro no Méier. E pior: eu gosto do Méier. Meus amigos publicitários simplesmente não conseguem compreender isso. Tanto que muitos já elaboraram sofisticadas teorias para tentar explicar o fato. Fernando Campos, por exemplo, diz que eu moro no Méier porque lá, além de rico, eu sou gatinho. Outros acham que eu faço questão de morar num bairro onde só eu tenha um carro com a marca Audi. Teoria, aliás, totalmente furada, porque no Méier existem vários carros com a marca Audi. Inclusive, Kombis, Fuscas, Opalas e Chevettes.
A verdade é que muitos amigos que criticam meu amado bairro estão escondendo um passado obscuro. Vários publicitários cariocas que hoje habitam as coberturas da zona sul vieram do subúrbio. Claro que não citarei nomes: André Lima é de São João, Alexandre Motta é de Quintino, Álvaro Rodrigues é da Tijuca, Fernando Barcellos é de Olaria, Renato Jardim é de São Gonçalo, Cláudio Gatão é de Água Santa e André Nassar é do Grajaú, mas hoje mora num lugar ainda mais esquisito: São Paulo. E, acredite, tem muito mais gente que veio da ZN. Acho até curioso termos poucos criativos com o nome de Wellington, Lucicreide, Gislene ou Lenildo.
O fenômeno que faz existir tantos publicitários suburbanos talentosos também tem as suas teorias. Estagiário de redação, por exemplo. O sujeito saído Cachambi pega o 456 ¿ Fim do Mundo/Copacabana ¿ e passa uma hora e meia sacolejando dentro do ônibus para chegar na agência. Nesse tempo ocioso, o cara faz uns 18 títulos. Enquanto que o estagiário que mora em Ipanema chega, a pé, na agência, em 5 minutos. Sem nenhum título pronto, é claro.
É inegável que nós, suburbanos, temos o dom da comunicação. Já reparou como suburbano adora conversar? Falar é grátis, né? Comece a prestar atenção nisso. Você está na fila do banco e já tem um suburbano querendo fazer amizade. Ele começa falando sozinho, reclamando da fila. Depois, começa a subir o tom de voz e a olhar pra você. E se você não fizer nenhum comentário que ajude a engrenar o papo, aí não tem jeito, ele te cutuca com a pontinha do indicador. Porque só tem uma coisa que suburbano gosta mais do que conversar. É cutucar.
Existe outra teoria que tenta explicar o bom desempenho dos publicitários suburbanos. O suburbano já começa a carreira com um leão. Sim porque na entrada de todo bairro do subúrbio tem uma estátua do Lions Clube. No Méier, por exemplo, tem uma. Aliás, muito bacana o leão. É feito de concreto, tem uns 3 metros de altura, uma pos e imponente e o saco escrotal pintado de vermelho, numa ousada interferência artística dos pichadores da região. Toda semana, a prefeitura pinta de cinza. E, toda semana, os pichadores pintam de vermelho. É um barato.
Por isso, preste atenção: se o seu estagiário chega na agência, todo dia, com o cabelo úmido, desconfie dele. Ele mora perto. Os melhores estagiários são aqueles que chegam com o cabelo seco e meio amassadinho atrás, de tanto ficar com a cabeça espremida na janelinha do 457. "
A verdade é que muitos amigos que criticam meu amado bairro estão escondendo um passado obscuro. Vários publicitários cariocas que hoje habitam as coberturas da zona sul vieram do subúrbio. Claro que não citarei nomes: André Lima é de São João, Alexandre Motta é de Quintino, Álvaro Rodrigues é da Tijuca, Fernando Barcellos é de Olaria, Renato Jardim é de São Gonçalo, Cláudio Gatão é de Água Santa e André Nassar é do Grajaú, mas hoje mora num lugar ainda mais esquisito: São Paulo. E, acredite, tem muito mais gente que veio da ZN. Acho até curioso termos poucos criativos com o nome de Wellington, Lucicreide, Gislene ou Lenildo.
O fenômeno que faz existir tantos publicitários suburbanos talentosos também tem as suas teorias. Estagiário de redação, por exemplo. O sujeito saído Cachambi pega o 456 ¿ Fim do Mundo/Copacabana ¿ e passa uma hora e meia sacolejando dentro do ônibus para chegar na agência. Nesse tempo ocioso, o cara faz uns 18 títulos. Enquanto que o estagiário que mora em Ipanema chega, a pé, na agência, em 5 minutos. Sem nenhum título pronto, é claro.
É inegável que nós, suburbanos, temos o dom da comunicação. Já reparou como suburbano adora conversar? Falar é grátis, né? Comece a prestar atenção nisso. Você está na fila do banco e já tem um suburbano querendo fazer amizade. Ele começa falando sozinho, reclamando da fila. Depois, começa a subir o tom de voz e a olhar pra você. E se você não fizer nenhum comentário que ajude a engrenar o papo, aí não tem jeito, ele te cutuca com a pontinha do indicador. Porque só tem uma coisa que suburbano gosta mais do que conversar. É cutucar.
Existe outra teoria que tenta explicar o bom desempenho dos publicitários suburbanos. O suburbano já começa a carreira com um leão. Sim porque na entrada de todo bairro do subúrbio tem uma estátua do Lions Clube. No Méier, por exemplo, tem uma. Aliás, muito bacana o leão. É feito de concreto, tem uns 3 metros de altura, uma pos e imponente e o saco escrotal pintado de vermelho, numa ousada interferência artística dos pichadores da região. Toda semana, a prefeitura pinta de cinza. E, toda semana, os pichadores pintam de vermelho. É um barato.
Por isso, preste atenção: se o seu estagiário chega na agência, todo dia, com o cabelo úmido, desconfie dele. Ele mora perto. Os melhores estagiários são aqueles que chegam com o cabelo seco e meio amassadinho atrás, de tanto ficar com a cabeça espremida na janelinha do 457. "
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