13 de agosto de 2008

Sabe aquele tipo de coisa que você jura que nunca vai acontecer com você? Pois é. Eu, uma pessoa tão comum, tão só mais um grão de areia no mundo e olha no que deu: numa madrugada sem hora pra levantar e revivendo velhas histórias, lembrei de um antigo blog que fiz quando ainda era adolescente para ter um espaço para armazenar minhas poesias. Fui em antigos arquivos e achei o link do probrezinho que fiz com tanto carinho e abandonei conforme a vida sem poesia se apoderou de mim.

Reli velhos textos, lembrei antigos sentimentos e vi um comentário no primeiro post. Abri pra ver se já o havia lido. Era alguém falando sobre direitos autorais, reclamando a autoria dos textos. Eu respondi na brincadeira sem acreditar naquilo. "Como tem gente à toa" , ainda pensei. Mas por curiosidade, fui buscar o nome do cidadão na internet pra ver de onde ele tirou a idéia de que meu texto era dele. Pasmem! Sabe o que eu descobri? Vários blogs e um site com um poema meu creditado a ele! Eu, bege, saí à caça de quem ele era pra ter tomado essa proporção. E tipo, ele nada mais é que um escritor que tem livros e tudo e que pegou minha poesia e disse que é dele! E detalhe, a nossa estrutura de escrita é completamente diferente!Eu tenho meus rascunhos de poema como relíquia. Esse tá datado em um dos meus cadernos da época (2006) e sei explicá-lo palavra por palavra. E tipo, não tem como duas pessoas escreverem coisas iguais sem mudar uma vírgula!

Cadê meu sono? Foi-se! É um absurdo! Logo eu! E ele que ganha dinheiro com isso, pegar de um blog adolescente, uma desventura amorosa traduzida em versos. É como se roubasse de mim o que ficou de bom da minha dor. Eu vivi. Eu senti. Eu escrevi. Eu poetizei.Queria acordar o mundo agora e gritar que esse poema é meu! Que quando creditado à terceiros é fraude!

E pra completar, fui catar no orkut. Claro! O orkut tem de tudo! E não é que tem comunidade dele e num tópicos sobre os textos dele tem o meu e uma pessoa definindo-o como o seu favorito! O.O História de máfia isso!!! Como é que pode, gente?

Me ajude a descarregar essa e escreve no comentário pra mim porque tô engasgada e já é alta madrugada. Não tem ninguém pra me ouvir. Chegar aqui e silêncio vai me reforçar isso (rs).

Bem...se você ver o poema abaixo por aí, credite e avise que é de Carol Monteiro ou, se preferir, apenas Camori


Nada à declarar

Nada à declarar:
a não ser que estou cansada e sem escudos.
Que depois que você foi embora, os deuses ficaram mudos.
Que as borboletas voaram pra outros mundos
e eu fiquei só.
Só eu e os meus cadernos.
À mercê dos mais profundos invernos...

Nada à declarar:
A não ser, que eu estou cansada e sem horizontes.
Que depois da sua partida, os amigos se debandaram aos montes... dizendo o quanto fiquei chata e intragável.
E se até o automóvel, se nega a dar partida, repito comigo mesmo: coisas da vida!... vai passar!
A droga, é que nunca passa...
O foda, é que tudo perdeu a graça! (vale registrar!)
Vale registrar, que toda vez que bato à porta da alegria, ela grita de longe: passa outro diiia!..
Tá tudo muito escuro
Sequer o futuro acredita num claro-despertar.

Ficamos então combinados:
vou dormir com mais este maço de desagravos
e se por acaso acordar, no meio de um pesadelo, peço desculpas a ele!
Viro-me de lado e digo: coisas da vida, amigo...pode continuar!...

Você some e fico eu só fazendo serenata pro trombone.
Por que você não pega o telefone e me liga?
Por que não escreve?
Por que não berra o meu nome?
Me dá um grito!

Às vezes você some, e fico eu, vidrada neste ímpeto
de querer rumar a cara e a cabeça na dureza de um paralelepípedo.
Amor não tem que ser suicídio
Dá meia-volta e volta, volta ao início.

Quando você desaparece, até o travesseiro vira precipício.


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