Essa semana o Profissão Repórter da Rede Globo, mostrou a realidade do ensino público na periferia e concomitante a isso, a vida/rotina de algumas pessoas que compõe esse sistema.A reportagem abordou os problemas já conhecidos e banalizados até o suicídio de um aluno. Mas o que mais me tocou, além do momento do parto da adolescente grávida que deu à luz em um hospital público que a deixou em trabalho de parto por 8 horas para depois fazer uma cesária, foi a vida de uma professora.
Tendo duas matrículas na Rede Pública, a professora da matéria saí de casa às 6 da manhã e trabalha até às 11 horas sem intervalo. Seu dia de trabalho só termina após o turno da noite da escola quando cumpre suas 14 horas diárias de trabalho para ganhar no fim do mês o equivalente a 3 mil reais.
É vergonhoso e quase humilhante ser detentor de um saber tão básico e tão pouco valorizado. Pegando ainda a reportagem como pano de fundo, esta professora que leciona matemática, lida com todos os problemas mostrados e distribui em 14 horas diárias um saber que será utilizado para toda uma vida por mais insignificante que ela se torne para ganhar 3 mil reais.
Como professora, é uma realidade angustiante. Dá a sensação de que não importa o concurso que você preste, nem o quanto você trabalha porque você nunca será visto como alguém que realmente mereça respeito ou seja necessário socialmente falando. Importante é o médico que lida com saúde, o bombeiro que corre riscos, o advogado que leva a lei aos leigos...o professor que constrói todos esses profissionais, que é a base que alicerça até esse Governo miserável que não olha pra ele e não o reconhece, não vale de nada!
São horas em sala de aula, em reuniões pedagógicas, em atendimento aos pais, a direção, ao aluno em particular e em casa planejando as aulas turma a turma, elaborando provas, atividades, trabalhos e depois corrigindo tudo isso para se ganhar uma esmola!
Como professora sei o quanto o piso é inferior ao meu trabalho. E o pior é que parece que não tem outro caminho.
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