Tenho recebido tantas perguntas de pessoas distantes do Rio de Janeiro que me querem bem perguntando sobre a tragédia que se abateu sobre o Estado que resolvi escrever para que todos acalmem seu coração.
A chuva começou no início da semana e caiu durante 24 horas. A intensidade variou um pouco mas foi muito tempo. O nosso sistema de esgoto, que permite que as ruas encham com qualquer chuva que caia, transbordou tanto que nossas galerias não conseguiram escoar a água. Como a chuva não parava, não houve sol para ajudar e as marés também encheram. Hoje, falou-se em ciclone no oceano quem esmo sem se aproximar do continente, é capaz de gerar ondas de até 5 metros de altura! Todo o nosso litoral está comprometido. As casas praianas foram invadidas pelas águas, problema que se alastra desde Cabo Frio.
Não bastassem as marés, a Lagoa Rodrigo de Freitas, a mesma que tinha sido manchete um tempo atrás por causa da morte de milhares de peixes devido a poluição mas que continua sendo comum das caminhadas e cooper, transbordou. O bairro nobre da Lagoa virou exatamente o nome que leva: lagoa. Com a Lagoa interditada, o acesso a zona sul foi ficando complicado.
A Praça da Bandeira, que também dá acesso a zona sul e ao Centro da cidade, sempre inunda mas dessa vez as pessoas tiveram que ser içadas, salvas em bote. Não havia como transitar.
O nosso Centro da cidade, marcado por história, casarões e a parte comercial, ficou inacessível. A recomendação das autoridades era para que ninguém fosse lá.
Foi decretado ponto facultativo, as aulas nas redes municipais, estaduais e particulares foram suspensas. para evitar movimento nas ruas.
Ilhada e com medo a população ficou em casa e os poucos que, como eu, tiveram que ir trabalhar, viram as ruas desertas, quase sem transporte urbano fossem carros, ônibus, metrô ou trem. Até a cabeceira do aeroporto Santos Dumont foi invadida pela água. Era um cenário de filme terror no qual você não sabia se chegaria ao seu destino e quando conseguiria voltar para casa.
Os eventos esportivos foram adiados e até o Maracanãzinho inundou tendo água chegou até a terceira fileira da arquibancada.
Nem a Barra e São Conrado escaparam do caos. Em Vargem Grande, que até agora continua ilhada sem dar conta de escoar a água, só era possível se locomover de trator. Até em Santa Teresa teve deslizamento e , Niterói, atual manchete dos jornais, ficou parada. As barcas suspenderam o translado e São Gonçalo sofreu ainda mais com a enchente.
O povo, em estado de choque, tem socorrido a própria família soterrada cavando até com as mãos. O morro que desabou em Niterói foi feito em cima de um antigo aterro sanitário. As escavações estão sendo feitas em meio a terra, destroços e lixo e as autoridades estão no disse-me-disse sobre quem devia ter feito algo por aquela gente.
E pensar que nessa semana, as notícias que circulavam era sobre a vacina contra a gripe suína e os candidatos deixando os cargos para começarem campanha.
Tanto nos preocupamos com o dinheiro do petróleo, colocamos tanto o foco na Copa e nas Olimpíadas que parece que esquecemos de olhar o nosso próprio quintal pra cobrar obras preventivas e mobilizações em prol de ajustes para amenizar esse desequilíbrio climático.
Agora é limpar a casa e pedir doem e ajudem!
Um comentário:
Uma tristeza mesmo...Mas já que aconteceu quase nas vésperas das olimpíadas, acho que alguma coisa devem fazer sim...tem mt interesse nesse jogo.
Que bom q está td mundo bem por aí!
E q saco ter q ir trabalhar se arriscando assim! Parece q não pensam!
afff
bjs
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