20 de junho de 2010

A vida só nos dá uma chance. Agarre-a!


Acabou de passar uma reportagem na TV falando que, quando adolescentes, não damos valor a família. Que em geral, o desejo é de sair de casa, ter sua independência e as referências não são as mesmas de quando crescemos. O engraçado é que faz um tempo que venho pensando nisso. Minha família sempre foi meio maluca. É cada tipo, cada figura. E eu faço parte dessa categoria mas custei a achar que pertencia a isso. Eram chatas as reuniões e eventos sociais familiares. Tudo era meio enfadonho e se arrastava. Parecia que durava dias. Claro que tenho boas memórias mas a maioria eram de momentos nada casuais dos quais era obrigada fazer parte e conviver com primos distantes, tios que que perguntavam "Tá boazinha?" e em casas que não sabia onde colocar as mãos. Como digo até hoje, dentro da família, tem a família que escolhi pra mim. Gente que às vezes me escapole das lembranças mais tênues mas que fazem diferença pra mim e nem bem sei explicar o motivo. A verdade é que a cada ciclo da vida vamos repensando as coisas. É preciso a cada fase nos reinventarmos e para isso voltamos lá no início. Vamos em nossas raízes. Reviramos o baú das referências e mesmo que nos percebamos bem diferente da nossa árvore genealógica ela nos explica. Explicações essas que podem vir mesmo com os adotados. Afinal, educação, vivências e referências vem muito mais das pessoas com as quais convivemos do que da mais pura genética. Essa nos permite explicar predisposições, heranças, semelhanças mas não é a única e definitiva origem de nossa família. Foi numa dessas buscas que me dei conta que tenho perto de mim familiares que nunca percebi mas que fazem toda a diferença por morarem perto. As cobranças, entre e sai de casa, as conversas, os cafés, os aniversários e até as fofocas são fundamentais! Assim como existem familiares que pouco vejo, família de festa e enterro, sabe? Mas que me renderam tão boas histórias! São eles que trazem meu gostinho de infância, de Natais, de festa de aniversário, de filhos de filhos de primos que nem sabia que existiam mas que eu bato olho e tenho carinho. Tenho vontade de sentar e conversar horas e horas até colocar em dia a vida de anos! E sinto isso vindo de alguns também. Por falar em família que mora longe, tem minha origem portuguesa. Sempre amei meus avôs mesmo sem tê-los conhecidos. Os 4. São tantas histórias e imagens criadas por mim a partir delas. Eles me fazem falta. Acho um crime não tê-los tido. Hoje as coisas seriam mais fáceis pra mim se os tivesse conhecido. Quando fui receber minha família portuguesa no aeroporto, sabia que tinha uma tia freira, que viriam 2 irmãos do meu avô e uma prima. Na parte de desembarque nunca me senti tão parte daquilo. Éramos todos branquelos, gorduchos, com bochechas rosadas e muito cabelo. Ali eu entendi o que era genética. Em um passe de mágica percebi que não sou daqui, sou de Portugal. rs ;) Só com 25 anos que consegui concluir todas essas coisas que foram sendo percebidas ao longo do tempo. Daria tudo pelos Natais de antigamente, os encontros com primos distantes em festas, os momentos familiares obrigatórios, a Copa na garagem de um deles, a proximidade para fazer parte da fofoca de todos e, principalmente, para desfrutar dos tios (as) que perguntavam "Tá boazinha?" que não cheguei a conhecer por puro preconceito e que hoje não posso desfrutar mais. A vida só nos dá uma chance. Agarre-a!

 
 

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