3 de fevereiro de 2007


Eu estou descobrindo com o trabalho o quanto sou chata, rotineira e metódica. Na verdade, eu já desconfiava mas as horas de trabalho estão acentuando isso cada vez mais! Gosto de silêncio, da quietude, da energia das crianças, do contato com o alguém para quem eu trabalho: meus alunos.

Sou contratada, obedeço ordens, tem toda uma hierarquia pais e direção a quem devo responder. E embora isso me frustre como professora, dentro da minha sala de aula, mando eu! Eu faço acontecer! E é pensando nos meus alunos e para eles que eu trabalho, sim!

Nenhum salário paga o trabalho, as dores de cabeça, as horas de serviço em casa e os milhares de extras e extras que ser professor exige. Mas ver o desenvolvimento, receber um sorriso, ter um carinho e sentir o amor recíproco, preenche esse vazio capitalista num país que não dá valor aos verdadeiros profissionais que são o alicerce da nossa sociedade.

Enquanto lecionar for um ato considerado apolítico e posto de lado para mais tarde ser maquiado com cotas e faculdades públicas que passam por crises, greves e pela decadência do nosso sistema educacional, vamos continuar achando que o professor em sala de aula simplesmente ensina a matéria. Mas não é assim.

Vivemos de uma educação assistencialista que ensina o que interessa aos poderes. Ninguém ensina a pensar, nenhuma escola estimula questionar além das dúvidas do conteúdo. Porque interrogar o porquê das coisas já é uma revolução.

E assim vou me vendo presa nas minhas limitações metódicas, na burocracia da rotina, em passar o conteúdo, em achar bom as cotas, me matar por um ensino público na faculdade e a tornar meus alunos belos cordeirinhos, exatamente como me ensinaram a ser.
"A burguesia fede". Por isso trabalho para as crianças e embora necessite do pão, meu pagamento vem direto da fonte, ou seja, dos meus alunos.

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