29 de novembro de 2008

"o peguei e não larguei mais! "


Minha primeira memória e relação à ele é de um bebê de pé em um chiqueirinho, eufórico, olhando em direção a porta e me esperado entrar. Quando entrei, o peguei e não larguei mais! Mas sei que antes disso, existiu ele recém-nascido e eu muito criança carinhando-lhe á cabeça porque pegá-lo, ainda não podia. Então ficava ali, na cama ao lado do seu berço e como em um pacto, permanecia lá, velando o seu sono. Se saísse vagarosamente do quarto, ele acordava. E a única vez em que adormeci nesse processo, acordei com ele em pé no berço a me olhar como se tivesse sido a vez dele de velar pelo meu sono.

Pois bem. Agora ele fez 14 anos. E custei a entender que não somos amigos. Temos uma relação íntima, conversamos sobre as coisas mas se quando criança brincávamos, em algum momento estabelecemos a nossa relação de dindinha e afilhado.

A prima é a amiga que ele adora e entra em álbum do orkut. Eu nem sou mencionada. Igualzinho como faço com minha madrinha e família. Se antes despertava ciúme, tolo ciúme, entendo perfeitamente hoje. Ele me escolheu pra madrinha. Fora batizado já tendo noção das coisas e assim me escolheu. E mesmo que brincássemos no quintal, sempre fomos mais entre nós do que éramos com as outras crianças que brincavam conosco.

Dos ataques de ciúme dele para que eu não namorasse, cassasse ou viesse a ter filhos para não esquecê-lo, à rebeldia de querer morar comigo, a rebeldia inversa de me achar muito chata, até chegar nos dias de hoje e sermos dindinha e afilhado desse jeito tão bonito, existem 14 anos com 8 de diferença.

Aprendi a amar com amor de mãe quando tinha 8 anos de idade e ele, desde antes dos seus 14 anos, já sentia e retribuia isso.

E foi assim que passei meu sábado. Pensando em nós dois e nesse carinho tamanho, enquanto ele adormeceu todo torto no sofá, apoiado no meu ombro sem querer ir para a cama porque lá ele não estaria no meu "colo". E olha que ele fisicamente ele também cresceu. Aliás, mais que a dindinha.


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